Tudo começou ao saber pela segunda vez que estava com câncer de mama no outro seio. Além da radioterapia por que passara, agora teria que me submeter à quimioterapia.
Ao ser avisada pelo médico que os cabelos cairiam, procurei me prevenir. A primeira alternativa que me ocorreu foi a de usar peruca, porém não me adaptei.
Pareceu a mim que seria
algo assim: “eu faço de conta que tenho cabelo e os outros fazem de conta que acreditam”. Além disso, ainda contava com a insegurança de que ela pudesse sair do lugar. Uma segunda alternativa seria o uso de lenços, já que a exposição sem cabelos poderia despertar um sentimento de “pena” nas pessoas que me vissem. Aliás, eu mesma sentia assim quando via alguém nessa condição. Apesar da nobreza e determinação de assumir a condição de uma batalhadora, contudo, acredito ser melhor não se expor com a cabeça descoberta.
Então fui à caça de lenços, e vi que não existia nada no mercado a não ser aqueles de seda pura ou tecido estampado que não param de jeito nenhum na cabeça.
Por ter conhecimento de corte e costura, fiz um lenço de malha para experimentar. Achei que ficou ótimo. Inovei mais ainda, usando uma “tiara” em cima do lenço e me senti mais bonita e confiante.
Com o uso do lenço notei que as pessoas me observavam com maior freqüência e muitas delas teciam elogios pela forma como me apresentava. Especialmente as “colegas de tratamento” passaram a me procurar para saber onde eu comprara os lenços que usava. Foi assim que surgiu a idéia de iniciar a confecção de lenços com finalidade comercial.
Como as estações mudam,
hoje vivo na primavera.
M. Claudia Zapaterra Campos
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